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Erro de Pensamento

08
Dez17

Aldrab... Tarólogos

Descobri hoje com muita infelicidade que já não se encontra, na nossa televisão, o trabalho desses profissionais tão reputáveis que são os tarólogos. Poderá ser apenas da altura do ano ou então de um ou outro incidente em que ao que parece um destes mestres teve um pequeno lapso e encorajou combater violencia doméstica com miminhos, uma pacifista portanto. Estes escândalos só podem ser devido a pessoas que não conseguem compreender a magia e arte que é ter um baralho que serve para tudo.

 

Infelicidade minha descobrir a ausência destes programas na televisão pois fui vitima de hipnotização penso eu, com tantas vezes que ouvia a frase «Ligue já e terá oportunidade de falar comigo», repetido a cada oportunidade, inclusive a meio de “consultas”. Importante logo referir o nome da taróloga, “Zila”, ora este nome nem deve ser permitido pelo registo civil, por isso assumo que é na verdade um nome dado por alguma entidade secreta do mundo das cartinhas; fico também curioso se tem algum parentesco com o Godzila, algumas coisas começariam a fazer mais sentido nesse caso.

 

Em várias manhãs de Verão o meu dia começou justamente a absorver a sabedoria da Zila, que como qualquer mestra das cartas tinha uns três ou quatro baralhos diferentes, que utilizava de acordo com a situação. Lembro-me de uma senhora telefonar para perguntar se o marido se queria separar dela. A mestre Zila precisou de três informações, data de nascimento, nome e há quanto tempo o casal estava junto, utilizando estes dados procedeu a escolher o baralho, que, para espanto meu era um baralho perfeitamente normal. Portanto enquanto as cartas são postas na mesa no que parece um jogo de solitário conversa de circunstância vai acontecendo. Para espanto meu Zila assegura a senhora de que a sua relação está a salvo, dando como prova um 7 de Ouros, que me deixou algumas dúvidas, se fosse a “paciente” teria ficado mais descansado com um às de Copas.

 

A outra história que me recordo, é também com a mestre Zila, que como já perceberam sou um seguidor, e evidencia poderes ainda maiores. Mais um telefonema desta vez a perguntar acerca de um problema de saúde, nomeadamente alguém que tinha sido submetido a um tratamento e queria saber se já estaria tratada de vez, referindo algo como «O médico disse-me que só com o tempo se saberia e que teria de voltar para mais análises e só nessa altura me saberia dizer». Ora Zila, desta vez apetrechada de um baralho com figuras mais elaboradas muito rapidamente e com confiança assegura a senhora de que está tudo bem com ela. Depois de tratar relações, dinheiro, vida profissional Zila não hesita em ajudar também na saúde, o que me começou a deixar com um pé atrás confesso. Portanto um médico que passa 10 anos a estudar por vezes admite que não é a área dele e aconselha consultas com outros especialistas, e uma pessoa munida de três baralhos de cartas não se coíbe de, sem ver análises, exames ou o paciente, dar um parecer definitivo.

 

Parece que agora para me guiar na vida a única opção que tenho é ir ver velhos a jogar à sueca no parque.

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