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Erro de Pensamento

27
Dez17

Passagem de Ano e Fruta Ressequida

Gosto que a passagem de ano seja próxima do Natal, assim há uma boa desculpa para nos desgraçarmos a vários níveis de forma mais intensa, porque «No dia 1 é que volto à linha». Isto é apenas um sinónimo de ser uma besta a comer e beber durante mais tempo sem peso na consciência, coisa que aprovo.

 

Portanto ainda na ressaca do Natal é importante começar logo a planear a passagem de ano. Eu ainda sinto os 24 doces diferentes que comi a passarem-me no sangue, sinto que ainda não estou com capacidade para começar a pensar em mais jantares e festas. Mas tem de ser, ainda mais este ano em que tenho um papel activo na organização do jantar da passagem de ano. A minha capacidade no planeamento de coisas deixa bastante a desejar, ainda mais quando são coisas que realmente importam. Se alguma vez tivesse de organizar um jantar aposto que acabaria por me esquecer de arranjar noiva.

 

Eu não entendo é as tradições de passagem de ano, em especial a das passas. Desconfio até, que o conceito de celebrar o ano novo, e quiçá o próprio calendário romano, foram criados por a industria que produz passas. Passamos 364 dias do ano sem comer passas, mas depois começam as badaladas e pumba é enfardar passas como se disso dependesse a nossa vida. Ia chamar à passa um fruto, mas para ser correcto, é um fruto velho. Enrugado, rijo, e em geral não é algo que as pessoas queiram comer.

 

 O mais impressionante disto é como conseguiram convencer meio mundo que comer aquilo numa dança sincronizada com as badaladas vai resultar em desejos mágicos, e logo doze. Tanto desejo para quê? Eu acho que já um desejo por ano é demasiado. Há muita gente a pedir doze desejos todos os anos e a paz mundial ou não é prioritária para os portugueses, ou poderá ser sinal que é só parvo andarem a encher-se de passas para depois ficar tudo na mesma.

 

Como já há desemprego suficiente e não quero mais indústrias moribundas comam lá as passas.

 

Quando estiverem a fazer a tradição de pedir desejos a passas lembrem-se é que uma semana antes estavam a rir-se das crianças que ainda acreditam no Pai Natal.

22
Dez17

Conselhos para as compras de Natal

Queria falar de coisas tão relevantes como andar de robe vestido por cima da roupa do dia a dia, mas acho que lá vou ter de falar do Natal.

 

Pois, é Natal, aquela altura do ano em que grande parte das pessoas andam à beira de esgotamentos e irritadas porque têm de arranjar presentes para todo um circulo de pessoas à sua volta. Eu sou daqueles que sofre muito com a história de arranjar presentes para as pessoas próximas não por os shoppings estarem cheios ou por sofrer de algum conflito anti-capitalista, mas porque não sou criativo a arranjar coisas para oferecer. Sempre olhei com admiração para aquelas pessoas que fazem coisas espectaculares como um baralho de cartas personalizado, ou toda uma experiência única, porque não consigo. Eu fico-me por muitas vezes oferecer livros, por norma não falham (quando é para quem goste de ler) e qualquer coisa despeja-se o «Podes trocar se já tiveres» que é quase o mesmo que «Se achares que é uma merda, vai lá buscar algo do Gustavo Santos, é lá contigo».

 

Os mais corajosos a oferecer prendas são os que oferecem roupa. É preciso ser um tipo especial de pessoa quando se tem conhecimentos não só sobre o número que a outra pessoa veste como também do “estilo” de roupa a oferecer a outra pessoa. Digo isto, pois nunca sei os números de nada do que visto e em geral preciso de um comité para decidir se deva comprar o tal casaco. O problema de oferecer roupa é também a pressão que gera, e se vos dão algo que não gostam muitas vezes não é fácil ser honesto e dizer «Mas achas que vou andar com uma camisola cor de banana ?». Por isso que nunca na vida poderia pensar em oferecer roupa a ninguém.

 

Este ano, como em todos, os portugueses acharam que era uma óptima ideia comprar as prendas todas na última semana antes do natal, e irrita-me solenemente as pessoas continuarem a ser tão parvas. À conta disto apanhei filas em todo o lado a que fui. Era mais fácil terem ido logo em Novembro e eu agora podia estar a fazer as minhas compras descansado.

 

Como referi, não sou dos melhores a dar prendas, pelo menos boas prendas, por isso ficam aqui 5 sugestões de presentes de última hora.

  1.  Um blind date para a amiga solteira desesperada - com o Harvey Weinstein. Ele certamente não diz não a nada.
  2. Uma ida à IURD - para aquele amigo que não é a favor do aborto mas que tem 18 anos e acha que é cedo para ser pai.
  3. Um beijinho do presidente Marcelo – basta ir lá ao palácio de Belém e pedir com jeitinho que o presidente não resiste.
  4. Caixa de chocolates e meias – presente jeitoso, sou a favor de comer, de preferência com os pés quentes. Se queriam antes uma Playstation vão mas é trabalhar, mandriões!
  5. Ofereçam um jantar - «Olha este ano não tive tempo para prendas, mas combinamos aí um jantarinho e é por minha conta» e como é óbvio nunca mais falam nisso.
16
Dez17

Preciso de viagra religioso

Isto de falar em crenças é daqueles assuntos que nunca mais acabam. Sinto que todas as semanas leio ou oiço alguma discussão sobre Igreja, religião e Teísmo. As minhas preferidas acabam invariavelmente por ser as que se encontram nesses grandes espaços de reflexão que são caixas de comentários na Internet. Nada como o comentário do “Wolf God”  num video do Youtube do canal "The Church of Almighty God" para abalar com a crença de uma vida.

(Já agora de assinalar que este canal tem um vídeo chamado "God Is Great | Thank God | "The True Love of God" | Praise the Lord (Best Christian Music Video)" e eu que sempre ouvi a tal coisa de não invocar o nome do senhor em vão, só aqui já gastaram a quota toda que podem dizer num ano)

 

Eu sou daqueles que quando dizem “Eu não acredito” são olhados com pena por parte dos que já garantiram o lugar cativo no Além. Atenção que isto não é bem uma escolha, é uma condição. Não se escolhe acreditar. Por mais que repita o que quer que se diga na missa, isso não faz com que automaticamente acredite nisso, assim como quando fico doente, e estou sempre a dizer “ah isto já está curado”, mas na verdade estou na mesma.

 

 

Aquilo que tantas pessoas sentem, esta incapacidade de acreditar, faz com que sejam mal vistas por grande parte das religiões. Ora se alguém acredita que fomos criados por um tipo super poderoso então não devíamos ser vistos como patifes que odeiam deus, mas que na realidade, apenas um produto com defeito (que ainda deveria deixar mais duvidas no quão poderoso será o tipo).

 

 A sério que gostava de acreditar que depois de bater as botas se vai para um sitio espectacular. Sitio esse que supostamente nos faz reencontrar família, conhecer 72 virgens, ou possivelmente ter ali uma mesinha de buffet à disposição. As promessas do pós-vida variam e nalguns casos a coisa é meio deixada em aberto, o que me deixaria ainda mais desconfiado. A ideia dessa recompensa após a morte soa-me a negócio duvidoso, como aqueles anúncios das tele-vendas que nos prometem abdominais espectaculares em 7 dias, gastamos 99,99 € e no fim o que recebo em casa é uma espécie de vibrador para meter na barriga.

 

Isto tudo para dizer que seria muito giro realmente ter uma vida eterna depois, que já por si parece eterna quando estamos na fila do supermercado. Admito aqui abertamente que sofro daquilo a que se pode chamar disfunção religiosa. Paralelamente a alguém que sofre de disfunção eréctil e não consegue levantar certas partes do corpo, eu não consigo levantar a minha fé. Fico assim à espera de um comprimido que ajude com isto. A coisa mais perto que experimentei que poderia funcionar foram hóstias, mas daquelas de camarão dos restaurantes chineses, sei que não é a mesma coisa, mas nem num anjinho me fizeram acreditar por isso não me parece que vá lá com as outras.

08
Dez17

Aldrab... Tarólogos

Descobri hoje com muita infelicidade que já não se encontra, na nossa televisão, o trabalho desses profissionais tão reputáveis que são os tarólogos. Poderá ser apenas da altura do ano ou então de um ou outro incidente em que ao que parece um destes mestres teve um pequeno lapso e encorajou combater violencia doméstica com miminhos, uma pacifista portanto. Estes escândalos só podem ser devido a pessoas que não conseguem compreender a magia e arte que é ter um baralho que serve para tudo.

 

Infelicidade minha descobrir a ausência destes programas na televisão pois fui vitima de hipnotização penso eu, com tantas vezes que ouvia a frase «Ligue já e terá oportunidade de falar comigo», repetido a cada oportunidade, inclusive a meio de “consultas”. Importante logo referir o nome da taróloga, “Zila”, ora este nome nem deve ser permitido pelo registo civil, por isso assumo que é na verdade um nome dado por alguma entidade secreta do mundo das cartinhas; fico também curioso se tem algum parentesco com o Godzila, algumas coisas começariam a fazer mais sentido nesse caso.

 

Em várias manhãs de Verão o meu dia começou justamente a absorver a sabedoria da Zila, que como qualquer mestra das cartas tinha uns três ou quatro baralhos diferentes, que utilizava de acordo com a situação. Lembro-me de uma senhora telefonar para perguntar se o marido se queria separar dela. A mestre Zila precisou de três informações, data de nascimento, nome e há quanto tempo o casal estava junto, utilizando estes dados procedeu a escolher o baralho, que, para espanto meu era um baralho perfeitamente normal. Portanto enquanto as cartas são postas na mesa no que parece um jogo de solitário conversa de circunstância vai acontecendo. Para espanto meu Zila assegura a senhora de que a sua relação está a salvo, dando como prova um 7 de Ouros, que me deixou algumas dúvidas, se fosse a “paciente” teria ficado mais descansado com um às de Copas.

 

A outra história que me recordo, é também com a mestre Zila, que como já perceberam sou um seguidor, e evidencia poderes ainda maiores. Mais um telefonema desta vez a perguntar acerca de um problema de saúde, nomeadamente alguém que tinha sido submetido a um tratamento e queria saber se já estaria tratada de vez, referindo algo como «O médico disse-me que só com o tempo se saberia e que teria de voltar para mais análises e só nessa altura me saberia dizer». Ora Zila, desta vez apetrechada de um baralho com figuras mais elaboradas muito rapidamente e com confiança assegura a senhora de que está tudo bem com ela. Depois de tratar relações, dinheiro, vida profissional Zila não hesita em ajudar também na saúde, o que me começou a deixar com um pé atrás confesso. Portanto um médico que passa 10 anos a estudar por vezes admite que não é a área dele e aconselha consultas com outros especialistas, e uma pessoa munida de três baralhos de cartas não se coíbe de, sem ver análises, exames ou o paciente, dar um parecer definitivo.

 

Parece que agora para me guiar na vida a única opção que tenho é ir ver velhos a jogar à sueca no parque.

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