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Erro de Pensamento

20
Jan19

Sem ideias como a SIC

Tenho a declarar, antes de mais, que esta semana não tenho nada a declarar. Andam a acontecer demasiados “escândalos” e coisas gozáveis por semana, e acho mal. Portugal é um país pequeno, não temos população para estas coisas, e eu pessoalmente não tenho tempo para andar a investigar minuciosamente, como alias é meu apanágio. A isto soma-se ainda que tenho lido tanta coisa sobre tudo isto que deixa de me apetecer escrever sobre tal.

Justificada que está a minha falta de criatividade, penso que vou ter de recorrer aquilo que alguém cheio de dinheiro e preguiça faz, portanto basta-me procurar um formato que já existe e comprar os direitos. Por falta de desleixe não fiz os preparos para poder ir buscar uma coisa que se faça noutros blogs. Pensei em ir buscar uma coisita dos blogs de moda, mas de tons e beleza não sei nada, coisa que se comprova por andar o inverno cheio de cieiro nos lábios e nunca encontrar nada para os tratar. Pensei em fazer uma crónica de viagens, mas achei que relatar a minha viagem de fim de semana, ao Alentejo, não tem grande interesse. Eu sei que alguém com grande habilidade e olho para a coisa arranjava um sitio com cavalos e piscina no Alentejo profundo e fazia dali uma bela publicida.. crónica. Já a casa da minha mãe que o máximo que tem é um cão e uma banheira cá me parece que não impressione. Por último pensei em fazer uma crónica como é ter filhos, mas já tinha coisas combinadas e não dava para ir adoptar, aturar e depois abandonar uma criança tudo num fim de semana.

Com isto tudo acabei de me lembrar que ao menos não sou a única pessoa sem ideias. Parece que o pessoal da SIC também não tinha grande ideia do que utilizar para encher as noites de Domingo e, portanto, importou o Lip Sync Battle, em que como sempre aplicaram o filtro português e como sempre acabou por ficar fraquinho.

Portanto deixo aqui três ideias de programas originais que a SIC podia me podia ter comprado:

  • Jovem chega a casa bêbedo e tem de se deitar sem acordar a família. Ajuda se for daquelas famílias com muito bibelot
  • Um concurso em que as pessoas voltavam atrás no tempo e só podiam levar um objecto. O objectivo era surpreender ao máximo o pessoal da era medieval sem ser considerado uma bruxa. (Eu sei que ainda não se consegue viajar no tempo, mas vocês viam este programa)
  • Um ouriço a comer fruta durante 3 horas. Sim, parece pouco mas procurem na Internet, aquilo sim consegue entreter-me.

Espero que alguma destas ajude, até porque ver o Manzarra ali lembra-me de ir a um zoo ver animais, sabemos que até são bem tratados, mas está na cara que eram mais felizes lá fora.

13
Jan19

A Cristina Ferreira agora tem um programa na 3

Sempre acreditei que alguém com capacidade para implantar uma ditadura em Portugal era o Manuel Luís Goucha com a sua brigada de velhinhos. Ao que parece a TVI também teve a mesma ideia.

Felizmente ainda não ouve feridos nesta que poderá vir a escalar para a Terceira Guerra Mundial, mas tem sido uma batalha renhida. Um Mário Machado de um lado, com as suas “declarações polémicas”, pela Cristina um telefonema de Marcelo claramente a marcar a sua posição caso tenhamos de escolher o futuro governante de entre destes dois apresentadores de televisão. Para resolver isto propunha um combate no ringue, entre Cristina “ESTÁ CERTO!” Ferreira e Manuel “Luís” Goucha (sim fui preguiçoso, mas também nenhum pugilista tem três nomes, o que complica a coisa), Floyd Mayweather seria destronado na hora como o gajo a quem pagam mais para andar à batatada.

A SIC teve assim o inicio de sonho para um programa, que parece a ameaçar destronar os ratings da TVI, mas vamos ser honestos, todos sabemos que aquilo vai no fim dar tudo ao mesmo, um Quintino aqui, um Hernâni Moura acolá, mas de resto é tudo parecido. Mesmo sem ver o programa posso apostar que tem um número para o qual se liga e publicidade a produtos medicinais altamente duvidosos, interrompidos por histórias dos infortúnios de pessoas que colecionam azares na vida. Deixo apenas uma reclamação, das imagens que vi já não temos público a aparecer, que acho mal, se havia parte engraçada daquilo era ficar a ver a cara das pessoas depois de 4 horas a ouvir a voz da Cristina Ferreira, é que quem está em casa ao menos tem o mute.

No meio disto, acho que a Cristina Ferreira está de parabéns, que não só conseguiu um contracto bastante apelativo na SIC como também encontrar uma equipa de criativos fortíssimos, depois da revista “Cristina” tem um programa chamado “O Programa da Cristina”. Tenho de reconhecer que é um nome adequado ao público alvo, eles sabem que os velhotes não querem saber do nome das coisas. O “Você na TV” sempre foi para eles o programa do Goucha e nem dá na TVI, dá “na 4”. Imagino que quando eu chegar a velho isto vai ser muito mais complicado, porque já existem 187 canais, e ainda por cima os gajos de tempos a tempos mudam os números dos canais.

Portanto Marcelo tem uma relação muito próxima, telefona à Cristina a meio do programa novo, para a RTP envia uma gravação e aposto que nem ele sabe quem apresenta o programa da manhã. No meio disto tudo o pessoal da CMTV nem um olá. Para mim isto é errado da parte do presidente, porque se há um ano alguém me dissesse que íamos ter o Mário Machado e o deputado Alexandre Frota e não ia ser na CMTV eu nunca acreditaria.

06
Jan19

Médio ano para todos

As pessoas são demasiado ansiosas. Ainda antes de ter acabado 2018 já andava tudo nervoso a desejar “bom ano”. Acho que não nos devemos precipitar.

Não sou de optimismos, muito menos exagerado desta forma. Por mim ia-se com mais calma e ponderação, vão-se desejando coisas mas com cabeça, aos poucos como por exemplo um “Bom primeiro trimestre”. Mais que isso é meter a fasquia lá muito em cima, depois na calha não vai ser bom, vai ser só normal e resulta em pessoas desanimadas por estarem com espectativas muito altas.

Louvo o pessoal doido que está em Lisboa na véspera de ano novo e acha boa ideia ir para o Terreiro do Paço. É que: ou vão para lá cedo, e portanto passam uma noite muito agradável, ao frio, rodeados de desconhecidos e apenas com casas de banho públicas próximas; ou então acontece o típico jantar em casa e depois toca a ir para o metro, na esperança de conseguir chegar lá a tempo, e como é óbvio passa-se a meia noite entre um gordo, uma velhota perdida e o varão do metro enquanto tentamos abrir o espumante sem acertar com a rolha no próprio olho.

A verdade é que regra geral, quem tem uma bela passagem de ano, a celebrar o fim de um ciclo e o começo do novo ano acaba sempre o dia 1 a desejar ter ficado em 2018 mais um bocado. Mesmo quem quer começar o novo ano a ser mais fit, ler mais, viajar mais e estar mais com quem se gosta acaba no primeiro dia do ano de ressaca, a ter de limpar a merda da festa de passagem de ano porque a casa ficou toda de pantanas, com dor de cabeça e tem de se encomendar uma pizza porque está tudo fechado. Isto sim eram coisas nas quais se devia investir os desejos das passas, investir pelo menos metade logo para o dia 1 não ser o pior dia do ano.

 Tenho a dizer que não sei de que cor eram os meus boxers, não saltei de uma cadeira com o pé direito, e que na meia noite já estava bastante tocado e ainda assim não passei a acreditar que comer passas nos dá poderes do Aladino. Mas a pedir era para se acabar com esta coisa de chamarmos Réveillon à festarola de passagem de ano, é uma palavra com demasiado glamour para a passagem de ano da maioria das pessoas, a cheirar a camarão, bêbedo e a fazer a contagem toda mal porque a televisão está uns segundos atrasada.

Resumindo, vai ser mais um anito, com sorte chegamos ao fim de 2019 que já não seria nada mau, falando por mim. Portanto desejo um médio ano para todos, com apontamentos de ser bom mas ainda não vai ser neste ganham o euromilhões.

29
Dez18

O melhor do mundo são os bebés (se tiverem conta de Instagram)

Bom, imagino que está tudo ainda empanturrado e a fazer contas para ver quantas mais rabanadas enfiam no bucho antes de irem medir a insulina.

Mais importante que falar da época de Natal é preciso focar no que realmente interessa, as grávidas. Tenho andado atento e constato que engravidar parece alimentar contas de Instagram para meses. Aliás, não são só contas de Instagram como de jornais, porque se há coisa da qual realmente é normal termos como manchete de um canal de informação é: “*Inserir famosa genérica* grávida de *inserir número de meses* mostra-se nua”.

São as únicas grávidas com grande interesse, porque sempre que alguém se dirige a mim com o intuito de me mostrar fotos eu evito. Neste caso sendo fotografias de grávidas ou bebés não só evito como opto por fugir por uma questão de segurança. É que nas fotografias de grávidas não há grande coisa a dizer sem ser: ”estás realmente grávida ou então engordas de forma estranha”. Pelos vistos não só há a necessidade de tirar fotografias à barriga, como ao corpo inteiro, tudo bem que pode ser para normalizar o corpo de grávida e dar confiança a muitas mulheres, no entanto hoje em dia também pode muito bem ser uma promoção marada de uma novela qualquer.

Uma coisa é certa é espetacular como estes génios do marketing conseguem vender os seus bebés ainda antes de eles nascerem. Já nem é um nascimento de um bebé, é o lançamento de uma linha de comida, roupa e acessórios, mas por acaso decidiram criar o modelo dos produtos em casa. Aposto que um batido de proteína faz bem aos bebés desde que haja patrocínio por trás e um bocado de maquilhagem assim que saem da sala de parto, só para realçar as suas maçãs do rosto. Não podem ir para o recobro assim, sem sequer um rímel ou um batom.

No caso particular da Rita Pereira, que aconteceu recentemente, ao que parece deixou o autocorrect escolher o nome da filha, mas enganou-se na língua e meteu em suaíli. Acabou com o nome Lonô. Este nome pode também ter sido escolhido por não haver mais ninguém, torna mais fácil encontrar nas redes.

Agora fora de brincadeiras, fiquei chateado pois a Rita Pereira já não parece querer saber dos fãs. Então tem um filho e nem um directo para o Instagram, apenas fotografias por todo o lado? Que egoísta. Ao menos tinham dado um telemóvel à miúda para vir logo a fazer um vlog durante o parto.

Pensando bem, e analisando o que comi este Natal acho que já passo por pessoa com 3 meses de gravidez, pelo menos até à fotografia comigo nu ninguém repara que tenho o sistema reprodutor errado. Venham daí os patrocínios.

22
Mar18

Cão Nazi

Acabo de ler uma notícia que me traz a confirmação que os cães não são dotados da fofice a que tanto se lhes atribui. Nesta notícia está em causa o julgamento de um individuo britânico que, para chatear a sua namorada, ensinou ao seu cão a fazer a saudação nazi e também a reagir à frase “gazeiem os judeus” com saltos. Assim o que era antes um cão fofo, é agora um cão fofo, mas possivelmente com um bigode parvo e tendências para genocídio.

 

Antes de mais isto só prova a teoria de que os gatos são melhores animais de estimação, se alguma vez tentarem ensinar seja o que for a um gato ele volta-vos as costas e vai dormir. Em relação aos cães tenho a dizer que sempre desconfiei, já vi vários a ladrarem a pessoas que vai na volta e eram apenas judeus no seu dia-a-dia, como têm tendências ditatoriais no que toca a ir à rua. Constato que é também o episódio de Inspector Max que faltava, o reencontro de Max com o seu irmão Adolf que criou uma rede de supremacistas cães com vista a acabar com tudo o que é cão inferior.

 

Tudo isto foi gravado e metido no Youtube, e ao ir a tribunal o veredicto é de culpado devido a “crime de ódio”, o dono, não o cão.  

No fim disto, o que se passa é que ao que parece um gajo por fazer uma piada parva é capaz de vir a ter uma pena de prisão de um ano.  Acho muito chato se esta prática chegar a Portugal, onde regra geral, a parece haver grande liberdade de expressão excepto se o tema for Angola. Isto porque prefiro poder dizer barbaridades e sujeitar-me a ouvir coisas que não gosto, do que haver uma lista de coisas do qual não se pode falar.

 

Ao procurar informar-me um mínimo para poder escrever isto, descobri que aos judeus provenientes da Europa Oriental se dá o nome “Ashkenazi”. Grupo de pessoas que caso lhes perguntem quais as suas origens deviam pensar duas vezes antes de dizer: Sou um judeu Ashkenazi, pois correm o risco de alguém com um aparelho de som vendido por o Marco Paulo ouvir: Sou um judeu nazi, que não só sendo bizarro pode levar a um mal-entendido.

 

Ficam assim com este aviso. Deixo também os meus parabéns ao senhor que conseguiu ensinar tal coisa ao cão quando eu nem consigo que o meu se sente.

11
Jan18

Relato de uma viagem de comboio

Com tanta polémica que tem havido neste inicio de ano acho importante escrever aqui sobre um desses flagelos. Diria que é talvez um dos temas que tem passado despercebido, mas é de tão ou mais importância que os outros. Esse flagelo é: sempre que ando de comboio fico com idosos ao lado.

 

Quero fazer já o disclaimer que não tenho nada contra idosos, mas quando olho à minha volta nos comboios vejo que há estrangeiros em conversas interessantes, jovens que poderiam muito bem ser modelos da Victoria's Secret (tudo bem, talvez esteja a exagerar, mas é gente com menos de 30 anos) e a mim calha-me sempre ficar na ala gereátrica . Se em 100 pessoas numa carruagem houver um membro da terceira idade eu já sei que vai ter lugar ao meu lado. Faço viagens de intercidades Alentejo-Lisboa há tanto tempo e com tanta frequência que poderia abrir um negócio. Uma empresa de blind dates, em que as pessoas falam com quem lhes calha ao lado, e estava tudo safo, porque eu ia a um canto da carruagem e fazia de íman de velhos, portanto iriam sempre calhar com alguém atraente e jovem. 

 

Devido a estas viagens sinto que sei melhor o historial médico de muitos desconhecidos que o meu. Começa sempre com alguém que, não bastando ter o toque de telemóvel no máximo, durante os primeiros minutos que o telemóvel toca resolve ignorar ou achar que é de outra pessoa. Quando atendem, lá está, fala-se da visita ao médico, o nome dos setecentos medicamentos que tomam e de que resolveram ignorar uma ordem do médico porque não o acharam simpático. Não que esteja ali a tentar ouvir, mas qual tortura de estado fascista, não há como fugir aquelas vozes aos gritos. Já cheguei até a ouvir alguém a fazer chamadas para a Madeira,  porque claramente um comboio cheio de gente, em que metade da viagem não há rede telefónica é a melhor oportunidade para tal. Até eu gosto de meter conversa em dia com família afastada quando não consigo ouvir o que me dizem do lado de lá.

 

Isto tudo para contar a minha mais recente viagem, em que após umas quantas paragens sozinho uma senhora idosa se senta ao meu lado. Uma senhora bastante simpática, obviamente a única pessoa que entrou naquela paragem que tinha mais de 60 anos teria de se sentar ao meu lado. A meio da viagem vejo que ela tira um smartphone e começa a jogar  Bubble Shooter, fico até feliz de viajar com um idoso que não acha que “Isto dos smartphones é que está a arruinar o mundo”. Passado um bocado reparo que ela está estática, ainda com o dedo colado ainda no ecrã, cabeça ligeiramente caída. Inerte e sem sinais de vida. 

 

Quando vejo alguém assim e com uma idade avançada sinto que estou a olhar para, aquilo a que chamo, um “Idoso de Schrödinger, até lhe tocarmos está a dormir e morto simultaneamente, para mim um conceito muito superior até ao conhecido agora pelos físicos teóricos. É bastante desagradável incomodar alguém no seu sono, tendo de acordar a pessoa para poder sair do lugar. É ainda mais desagradável tentar acordar alguém e a pessoa cair para o lado inerte. Ainda mais porque já estávamos perto da minha estação e não querendo abandonar friamente um cadáver também seria chato perder a paragem.

 

Ganhei coragem, dei um ligeiro toque no ombro da senhora, mais que isso e levo ainda levo #metoo na tromba. Acordou, fiquei a sentir-me mal de acordar a senhora e possivelmente a ter feito perder o jogo no smartphone.

04
Jan18

Substituíram-me

Não sei se faz parte de quando se escreve, depois do inicio do ano, desejar bom ano. Até ao falar com pessoas nos dias após a passagem de ano me esqueço que faz parte dizer «Bom Ano» para fingirmos que isso realmente torna o ano melhor. Mas para ficar já despachado, para quem ler isto: Bons futuros anos, até um dia falecerem.  

Agora que isso está tratado vamos ao que interessa: Fui substituído.

 

A substituição em questão passou-se há uns anos, depois de sair de casa da minha mãe para vir estudar para Lisboa. O substituto trata-se de um cão. Quem vê de fora poderá não achar, mas eu sei a verdade, a minha mãe depois de 18 anos a dar mimos, alimentar e cuidar a um ser, arranjou outro. Sinceramente acho que ela continua a ter mais estima por mim, até porque eu sei ir fazer as necessidades à rua sem trela. Na cabeça da minha mãe fez sentido depois de ter um filho arranjar um bicho cuja ocupação principal é lamber os próprios tomates.

 

A experiência que tenho a passear o meu cão confesso que não é o que esperava quando a minha mãe o levou para casa. Nunca esperei que um passeio com um cão fosse 30 minutos a olhar-lhe para o rabo até ele fazer as necessidades. Atenção que não se trata de uma tara ou algo assim, apenas de muitas vezes preferir estar quentinho em casa  a estar no meio de lama à espera de apanhar merda quente. O olhar para o rabo do cão é para me assegurar quanto tempo falta desta tortura. Pode dizer-se, de certa forma, que eu leio o futuro no cu do meu cão.

 

Tenho reparado que isto de passear o cão resulta muitas vezes em conversas com a minha mãe sobre os movimentos intestinais do meu cão. «Hoje de manhã fez 2 cocós!» diz-me a minha mãe certas vezes depois de o passear. Se havia duvidas que tinha sido substituído deixaram de haver. O que a minha mãe celebra como uma proeza do cão já fiz eu muita vez e nunca ninguém me congratulou.

27
Dez17

Passagem de Ano e Fruta Ressequida

Gosto que a passagem de ano seja próxima do Natal, assim há uma boa desculpa para nos desgraçarmos a vários níveis de forma mais intensa, porque «No dia 1 é que volto à linha». Isto é apenas um sinónimo de ser uma besta a comer e beber durante mais tempo sem peso na consciência, coisa que aprovo.

 

Portanto ainda na ressaca do Natal é importante começar logo a planear a passagem de ano. Eu ainda sinto os 24 doces diferentes que comi a passarem-me no sangue, sinto que ainda não estou com capacidade para começar a pensar em mais jantares e festas. Mas tem de ser, ainda mais este ano em que tenho um papel activo na organização do jantar da passagem de ano. A minha capacidade no planeamento de coisas deixa bastante a desejar, ainda mais quando são coisas que realmente importam. Se alguma vez tivesse de organizar um jantar aposto que acabaria por me esquecer de arranjar noiva.

 

Eu não entendo é as tradições de passagem de ano, em especial a das passas. Desconfio até, que o conceito de celebrar o ano novo, e quiçá o próprio calendário romano, foram criados por a industria que produz passas. Passamos 364 dias do ano sem comer passas, mas depois começam as badaladas e pumba é enfardar passas como se disso dependesse a nossa vida. Ia chamar à passa um fruto, mas para ser correcto, é um fruto velho. Enrugado, rijo, e em geral não é algo que as pessoas queiram comer.

 

 O mais impressionante disto é como conseguiram convencer meio mundo que comer aquilo numa dança sincronizada com as badaladas vai resultar em desejos mágicos, e logo doze. Tanto desejo para quê? Eu acho que já um desejo por ano é demasiado. Há muita gente a pedir doze desejos todos os anos e a paz mundial ou não é prioritária para os portugueses, ou poderá ser sinal que é só parvo andarem a encher-se de passas para depois ficar tudo na mesma.

 

Como já há desemprego suficiente e não quero mais indústrias moribundas comam lá as passas.

 

Quando estiverem a fazer a tradição de pedir desejos a passas lembrem-se é que uma semana antes estavam a rir-se das crianças que ainda acreditam no Pai Natal.

22
Dez17

Conselhos para as compras de Natal

Queria falar de coisas tão relevantes como andar de robe vestido por cima da roupa do dia a dia, mas acho que lá vou ter de falar do Natal.

 

Pois, é Natal, aquela altura do ano em que grande parte das pessoas andam à beira de esgotamentos e irritadas porque têm de arranjar presentes para todo um circulo de pessoas à sua volta. Eu sou daqueles que sofre muito com a história de arranjar presentes para as pessoas próximas não por os shoppings estarem cheios ou por sofrer de algum conflito anti-capitalista, mas porque não sou criativo a arranjar coisas para oferecer. Sempre olhei com admiração para aquelas pessoas que fazem coisas espectaculares como um baralho de cartas personalizado, ou toda uma experiência única, porque não consigo. Eu fico-me por muitas vezes oferecer livros, por norma não falham (quando é para quem goste de ler) e qualquer coisa despeja-se o «Podes trocar se já tiveres» que é quase o mesmo que «Se achares que é uma merda, vai lá buscar algo do Gustavo Santos, é lá contigo».

 

Os mais corajosos a oferecer prendas são os que oferecem roupa. É preciso ser um tipo especial de pessoa quando se tem conhecimentos não só sobre o número que a outra pessoa veste como também do “estilo” de roupa a oferecer a outra pessoa. Digo isto, pois nunca sei os números de nada do que visto e em geral preciso de um comité para decidir se deva comprar o tal casaco. O problema de oferecer roupa é também a pressão que gera, e se vos dão algo que não gostam muitas vezes não é fácil ser honesto e dizer «Mas achas que vou andar com uma camisola cor de banana ?». Por isso que nunca na vida poderia pensar em oferecer roupa a ninguém.

 

Este ano, como em todos, os portugueses acharam que era uma óptima ideia comprar as prendas todas na última semana antes do natal, e irrita-me solenemente as pessoas continuarem a ser tão parvas. À conta disto apanhei filas em todo o lado a que fui. Era mais fácil terem ido logo em Novembro e eu agora podia estar a fazer as minhas compras descansado.

 

Como referi, não sou dos melhores a dar prendas, pelo menos boas prendas, por isso ficam aqui 5 sugestões de presentes de última hora.

  1.  Um blind date para a amiga solteira desesperada - com o Harvey Weinstein. Ele certamente não diz não a nada.
  2. Uma ida à IURD - para aquele amigo que não é a favor do aborto mas que tem 18 anos e acha que é cedo para ser pai.
  3. Um beijinho do presidente Marcelo – basta ir lá ao palácio de Belém e pedir com jeitinho que o presidente não resiste.
  4. Caixa de chocolates e meias – presente jeitoso, sou a favor de comer, de preferência com os pés quentes. Se queriam antes uma Playstation vão mas é trabalhar, mandriões!
  5. Ofereçam um jantar - «Olha este ano não tive tempo para prendas, mas combinamos aí um jantarinho e é por minha conta» e como é óbvio nunca mais falam nisso.
16
Dez17

Preciso de viagra religioso

Isto de falar em crenças é daqueles assuntos que nunca mais acabam. Sinto que todas as semanas leio ou oiço alguma discussão sobre Igreja, religião e Teísmo. As minhas preferidas acabam invariavelmente por ser as que se encontram nesses grandes espaços de reflexão que são caixas de comentários na Internet. Nada como o comentário do “Wolf God”  num video do Youtube do canal "The Church of Almighty God" para abalar com a crença de uma vida.

(Já agora de assinalar que este canal tem um vídeo chamado "God Is Great | Thank God | "The True Love of God" | Praise the Lord (Best Christian Music Video)" e eu que sempre ouvi a tal coisa de não invocar o nome do senhor em vão, só aqui já gastaram a quota toda que podem dizer num ano)

 

Eu sou daqueles que quando dizem “Eu não acredito” são olhados com pena por parte dos que já garantiram o lugar cativo no Além. Atenção que isto não é bem uma escolha, é uma condição. Não se escolhe acreditar. Por mais que repita o que quer que se diga na missa, isso não faz com que automaticamente acredite nisso, assim como quando fico doente, e estou sempre a dizer “ah isto já está curado”, mas na verdade estou na mesma.

 

 

Aquilo que tantas pessoas sentem, esta incapacidade de acreditar, faz com que sejam mal vistas por grande parte das religiões. Ora se alguém acredita que fomos criados por um tipo super poderoso então não devíamos ser vistos como patifes que odeiam deus, mas que na realidade, apenas um produto com defeito (que ainda deveria deixar mais duvidas no quão poderoso será o tipo).

 

 A sério que gostava de acreditar que depois de bater as botas se vai para um sitio espectacular. Sitio esse que supostamente nos faz reencontrar família, conhecer 72 virgens, ou possivelmente ter ali uma mesinha de buffet à disposição. As promessas do pós-vida variam e nalguns casos a coisa é meio deixada em aberto, o que me deixaria ainda mais desconfiado. A ideia dessa recompensa após a morte soa-me a negócio duvidoso, como aqueles anúncios das tele-vendas que nos prometem abdominais espectaculares em 7 dias, gastamos 99,99 € e no fim o que recebo em casa é uma espécie de vibrador para meter na barriga.

 

Isto tudo para dizer que seria muito giro realmente ter uma vida eterna depois, que já por si parece eterna quando estamos na fila do supermercado. Admito aqui abertamente que sofro daquilo a que se pode chamar disfunção religiosa. Paralelamente a alguém que sofre de disfunção eréctil e não consegue levantar certas partes do corpo, eu não consigo levantar a minha fé. Fico assim à espera de um comprimido que ajude com isto. A coisa mais perto que experimentei que poderia funcionar foram hóstias, mas daquelas de camarão dos restaurantes chineses, sei que não é a mesma coisa, mas nem num anjinho me fizeram acreditar por isso não me parece que vá lá com as outras.

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